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Foto: Marcelo Akuri / Tawaieh http://www.tawaieh.blogspot.com.br. 

22 de Junho de 2015
Blog de Comunidade Sateré Mawé ensina vocabulário do idioma e mostra o cotidiano cultural da aldeia.
Nascido na Aldeia Nova Esperança no Rio Marau no Amazonas, o jovem Wasa’i Satere Mawe, Wesley,de 22 anos, do Povo Sateré Mawé, família linguística Mawé, é responsável por um blog pioneiro do povo, feito com sua comunidade para mostrar sua cultura e divulgar a aldeia. O blog tawaieh é organizado apenas por indígenas e é uma incitativa que fortalece o protagonismo da Comunidade Indígena Nova Esperança.

Além de oferecer um vocabulário básico da língua Satere Mawe, também possui vídeos, fotos e postagens com informações sobre o cotidiano da aldeia e costumes. Um exemplo para outras comunidades que queiram ser interlocutoras de seus próprios conteúdos. Algumas comunidades de outras etnias também possuem blogs e sites proprios. Apesar das dificuldades de acesso a internet, o projeto autônomo da comunidade segue compartilhando informações na rede. A ideia surgiu em 2011, depois do “Seminário Educação, Saúde e Produção”, na aldeia.
“A partir disso vimos a uma necessidade de criar algo para divulgar a nossa aldeia, aí então, eu deu a ideia a nossa equipe da aldeia, que são formados por professores, todos com graduação em Pedagogia, e assim que aceitaram, eu criei o blog e comecei a alimentar, porém sem NET boa, ficou parado vários meses e somente agora novamente estamos retomando isso.” lembrou, Wesley.
Wesley é cineasta de sua aldeia e trabalha em uma empresa de transporte escolar, dentro do movimento indígena na região. Criou o blog para sua comunidade com orgulho de ser totalmente de seu povo, etnia conhecida por domesticar uma planta com o nome de trepadeira silvestre, possibilitando a cultura do guaraná ser difundida em todo o mundo, uma bebida popular em todo o Brasil.

“A aldeia não possui acesso a internet, só temos Radiofonia para nos comunicamos com a cidade e demais aldeias. Mas estamos lutando pra levar internet a Aldeia, porém as vezes pensamos melhor deixar do jeito que está. Pois de alguma forma isso iria mudar o dia dia na aldeia dos jovens principalmente.”, desabafa Wesley.
Depois da criação do blog mudanças ocorreram na comunidade, que com muito cuidado foram sendo discutidas, como a visitação turística. A participação da juventude aumentou, querendo conhecer mais sobre o dia a dia na aldeia.
“Com certeza mudou muita coisa, inclusive a participação do jovens, hoje procuram saber mais sobre os acontecimentos da aldeia, e na questão turística, sempre aparecem pessoas que querem visitar, mas sempre discutimos antes, o real interesse dessas pessoas, por isso são poucos os que deixamos entrar pra fazer visita e conhecer a Aldeia e a cultura. E partir disso os jovens também procuraram saber mas sobre a nossa cultura, começaram a praticar e viver no dia dia. Pois o objetivo da divulgação não é ganhar dinheiro com a cultura e sim de preservar pra futura geração.” afirma, Wesley.

A criatividade  e importância da valorização da língua, ao ensinar um pouco dela, permite indígenas e não indígenas dialogar com os Satere Mawe. Na aba Aprendendo Satere Mawe, é possível conhecer o alfabeto e escutar em áudio a forma de pronunciar.

“No início foi somente pra divulgar mesmo a língua, como a escrita e a fala, porém depois começamos a pensar em cursos para ensinar melhor a língua, isso não seria possível acrescentar ao blog, por isso não colocamos mas nada além daquilo que está lá, mas damos cursos pra aquelas pessoas que realmente querem aprender um pouco sobre a língua Satere-Mawe.” diz Wesley

Para os parentes de outros povos e comunidades, deixa uma mensagem sobre a apropriação do indígena e não outros de sua própria história e cultura.

“Acredito que tudo na vida podemos aprender, desde as mais complexas e mas fáceis, e isso o blog ou site é apenas um dessas coisas que podemos dominar, pois assim nós falaremos como indígena, e não como olhar sobre o indígena. Pois somente o indígena pensará como indígena.” reflete, Wasa’i.

Pensar como indígena dentro da visão de mundo das etnias, é o que difere os conteúdos produzidos por não indígenas e indígenas.

“A diferença seria ter o domínio de falar sobre nos mesmo, sem precisar de outras pessoas pra falar ou nos defender. Pois a internet é uma grande ferramenta que nós pode ajudar ou prejudicar, cada um deve ajudar com preocaução.” acrescenta ,Wasa’i.

O blog mostra a importância e empoderamento de  indígenas administrar os blogs de seus povos em vez de não indígenas ou pessoas que não são da comunidade.

Redação Yandê

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