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Fonte: Erich Mühsam – BIOGRAFIA

Erich Mühsam, um dos vultos do expressionismo alemão, mas sobretudo, da poesia anarquista do século XX, nasceu em 1878 em Berlim. O seu pai era farmacêutico, da pequeno burguesia judaica e deu lhe uma educação muito autoritária.
Aos dez anos, o pai pô lo a estudar no Liceu de Lübeck, onde se submeteu ao mesmo autoritarismo que tinha em casa. A sua natureza rebelde valeu lhe numerosas punições.

Um dia, ainda no Liceu Lübeck, enviou um artigo anónimo ao “Lübecker Volksboten”, um Jornal social democrata local, denunciando as práticas ditatoriais dos professores, (que provocou um escândalo) e, assim queErich Mühsam foi identificado como autor desse artigo, foi expulso por “actividades socialistas”. Finalmente, Erich Mühsam obteve o diploma noutro estabelecimento de ensino. Os talentos literários deErich Mühsam são extremamente precoces. Aos 11 anos escrevia fábulas e aos 16, já ganhava dinheiro com os seus versos satíricos.


O pai, sempre austero, contra o qual o jovem Erich não tardou a revoltar se, apesar de tentar fervorosamente que o filho seguisse os estudos de farmácia, teve de aceitar com horror que o filho se transformasse num poeta…
Em 1901, Erich Mühsam  foi para Berlim e começou a movimentar se nos meios literários boémios e anarquistas de Berlim, enquanto trabalhava numa fábrica de produtos químicos. Nesta altura, Heinrich Hart convidou o para fazer parte do grupo “Neue gemeinschaft” (Nova Comunidade) que reagrupava jovens autores vindos de meios burgueses, mas politizados e a favor de uma vida comunitária. Entre estes jovens, encontravam se Peter Hille, Wilhelm Bölsche, Martin Buber e Gustav Landauer.

Este último e Erich Mühsam abandonaram entretanto o grupo por se aperceberem que o “espírito colectivo” não passava de palavras em vez de acções. E foi através de Landauer que Mühsam descobriu o anarquismo, sobretudo depois de ler Bakounine.
Mühsam  viajou pela Europa entre 1904 e 1908 (na Suíça conheceu Fritz Brupbacher, o biógrafo de Bakounone), fixando se depois em Munique.
Em 1911 fundou e dirigiu a revista “Kain. Zeitschrift für Menschlichkeit” (revista de Solidariedade Humana). Organizou em 1914 uma frente de esquerda contra a guerra e em 1918 fazia parte dos activistas da revolução de Novembro. A polícia considerava o um perigoso agitador e vigiava o constantemente.

 Erich Mühsam apelava à luta anti militarista, sugerindo mesmo a desobediência civil e a recusa ao pagamento de impostos para financiar a guerra.


Esteve preso até 1924, tendo sido recebido, aquando da sua libertação, por milhares de operários na gare de Berlim.


Depois, passou a ser o porta voz da “Associação Anarquista” em Berlim e escreveu contra a justiça de classe e o fascismo, fundando, em 1926, uma nova revista anarquista, a “Fanal”, que, em 1931, completava 58 edições. Publicou também numerosas obras sobre o Sistema, o Estado e a cultura alemã. Observador atento do nazismo, tentou criar uma larga frente anti fascista, passando a ser designado pelos nazis como “inimigo prioritário”. Goebbels apelidava o de “o porco judeu vermelho”.

O jornal nazi publicou na primeira página três fotos: de Rosa Luxembourg, de Karl Liebknecht e de Erich Mühsam, com a legenda “o único traidor do grupo que ainda não foi executado”.


Foi novamente preso em 1933 e depois de ter estado em vários campos, foi assassinado no campo de concentração de Oranienburg em 1934.


Tal como a sua vida, a sua poesia era temperamental e, ora escrevia sobre a luta e a revolução, ora escrevia poesia irónica e lúdica.


Erich Mühsam, foi um dos poetas anarquistas menos conhecidos e, ao mesmo tempo, um dos mais controversos, mesmo no meio literário alemão, que apenas evoca as suas ligações com o expressionismo.


Depois da prisão de Mühsam, a sua mulher, Zensl Mühsam foi presa em Moscovo e deportada para a Sibéria. Depois de 5 anos de trabalhos forçados, foi enviada para Novosibirsk. Depois da queda de Estaline, foi autorizada a instalar se em Berlim Este.

“De declarações verbais não surge um mundo novo. Os anarquistas que querem criar um mundo novo de liberdade, igualdade, reciprocidade, justiça, verdade e de associação de todos com todos, têm de revestir suas declarações de factos. Quer dizer, devem levar a sua vida como desejam que a vivam todos numa sociedade sem estado.”
Erich Mühsam

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