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Por Marques da Costa

Fonte: Núcleo de Pesquisa Marques da Costa

Mostra-se como a vontade unificadora dos “disciplinistas syndicaes” não passa de uma “rasteira” mal disfarçada, passada pelos “capoeiras” do “centralismo obreiro” – A Eftêérrejóta extinguir-se-á aos primeiros lampejos da nova Federação.

 

Os elementos que bolschevisaram a F.T.R.J. parece haverem-se arrependido dos passos que deram, no principio desse anno, “pró-unificação” do operariado local.

É isso, pelo menos, o que se deduz dos seus ultimos manifestos, publicados as terças nos jornaes diários.

Há oito ou quinze dias, lemos “que a Federação ainda tem elementos dispostos a trabalhar pelo seu soerguimento”, etc.; agora, no que hontem foi publicado, lemos que “da revanche divisionista cinco associações escaparam illesas e são essas cinco que procuram conduzir a Federação de accordo com as suas bases, esperando que todas as associações queiram commungar com ellas, nessa obra de organização e unificação.”

Antes de mais nada:

A que chamará o Comité Federal da F.T.R J. “revanche divisionista”?

E que comprehederá o tal Comité por “obra de organização e unificação”?

Positivamente, nós vemos estas coisas por prysmas differentes…Mas vamos ao que nós consideramos  arrependimento, deixando para mais tarde o esmiuçar desses “quês”.

Quando a F.T.R.J. se dirigiu as associações operarias que lhe negavam a sua adhesão, fel-o confessando peremptoriamente  que a sua vida era ficticia (como ainda confessa que é), que era nulla a sua acção e declarando “que era preciso por de parte tudo que pudesse impedir um bom entendimento”, do qual deveria resultar, ou a sua propria reorganização ou a constituição dum organismo que correspondesse às necessidades federativas dos trabalhadores organizados.

Mais do que esperava, lá no Comité da F.T.R.J., as associações locaes, abstraiando-se dos justificados ressentimentos que existiam , accorreram ao chamado; e cada qual, pelos seus delegados, expoz com visivel clareza e sinceridade os seus pontos de vista a respeito da organização syndical.

Naturalmente, como sempre acontece, houve logo ma primeira reunião o innevitavel choque de opiniões, como que a demonstração, a impossibilidade do sonhado entendimento…

Mas assim mesmo todos insistiram; uns na esperança vã de ver realizado o seu fantastico sonho de unificação; outros no proposito preconcebido de ir até onde o desejo de fazer triumphar o logro e a capciosidade não fosse contrariado; outros ainda, dispostos a darem todas as provas de que, embora não fazendo concessões de modo a trahir os seus proprios sentimentos, não opporiam obstaculos à vontade daquelles que então pareciam dispostos a “fazer todo o possivel pela concretização da organização operaria”, era todavia isento dos condemnaveis “excessos doutrinarios…”, alheio ao “puritanismo” dos elementos anarchistas que pontificam na organização sindical.

E foi sob a mais incerta e indecisa actuação dos militantes anti libertários que se passaram as primeiras semanas e os primeiros meses, de continuos e reciprocos esforços “pró-unificação”…

Finalmente, já fartos de esperar que os elementos da “Eftêérrejóta” apresentassem qualquer trabalho elucidativo, qualquer plano de reorganização, qualquer iniciativa que demonstrasse, ao menos, o porque das reuniões que convocaram; cançados de esperar e convencidos da incapacidade constructiva desses elementos, os representantes das associações automanas quasi todas de tendencias anarchistas, começaram a fazer suggestões e apresentar propostas.

Surgiu a moção apresentada pelo Syndicato de Officios Varios de Marechal Hermes, onde os defensores da “dictadura proletaria” logo viram uma formidavel e intolerabilissima declaração dos principios anarchicos.

Constituiu-se uma “Commissão Organizadora” com a imcumbencia de elaborar as bases de accôrdo, segundo as quaes se deveria operar a federação das associações locaes.

Foi quando em realidade se defrontaram e mediram as forças adversas!

Os da “Eftêérrejóta”, embora contando com o concurso de sua associações de Nichteroy, convidadas sophismaticamente para coparticiparem de trabalhos estrictamente locaes, constataram a sua situação inferior, tanto do ponto de vista mental como moral…e numerico.

E começaram então a obstruir.

A obstruir todas as iniciativas, elles, que estavam ali antes como alliados de Moscovia do que representantes do seu syndicato; elles que estavam ali para conseguirem a canaliazação dos demais syndicatos para o “fôrno” bolchevisante, centralizando-os, ou para impedir a victoria das tendencias libertarias, – resultando dahi maiores difficuldades para a conclusão do “accordo unificador”, phantasticamente imaginado…

A maioria dos associados que tomaram parte nas reuniões que a “Efetêérrejóta” convocou , mantinha, como mantém ainda, o seu espirito libertario. Não era possivel esperar dessas organizações tão grandes concessões que permittissem aos elementos bolchevisantes ver acceites os seus modernos velhos processos de disciplina e centralização. Mas esses elementos tinham em mente “conquistar a todo transe os syndicatos para o communismo”, influenciados que andam pelas theorias de Radek e Losowsky, dois “vistosos” “leaders” das internacionais de Moscovia, e acharam conveniente, entenderam ser de “boa tactica”, dar um passo atraz.

No seio da Commissão Organizadora, onde se comprometteram a apresentar um projecto de bases de accordo para a federação local, acabaram por declarar – cremos que depois duma reunião com a C.E. do seu partido – “É melhor que as associações só apreciem e discutam as bases que elaborastes”…

Positivamente, innegavelmente, a idea dos communistas (?) “estava premeditada desde o começo de toda aquella indecente comedia “unificadora”! E só não o enxergou quem não queria vêr.

Certos de que formavam uma minoria insignificante, os communistas – bolschevistas resolveram lançar mão dos seus mais predilectos recursos, que são a calumnia, o embuste, a mentira indigna e revoltante.

A sua ultima farça foi concordar que as bases então elaboradas pela “Commissão Organizadora” e acceites pela grande maioria de delegações fossem enviadas para os syndicatos “para que estes “referendassem”, livremente, o trabalho realizado”.

Nem nesse momento foram sinceros! Deviam ter desde logo a franqueza de affirmar que especie de “trabalho” iam fazer nos syndicatos, para impedir a marcha da sua propria iniciativa – que já agora é quasi victoriosa mas em prejuizo dos seus inconfessaveis intentos!

Mas não, preferiram agir na surdina.

Levaram a empatar, levaram a “amornar”, levaram a tecer indecorosas teias, com a acclamação de “commissões relatoras de pareceres”, etc., para ao fim, antes de cumprirem um dever que se impuzeram para com as associações não federadas, virem accintosamente publicando nos jornaes.

– “Tal associação nos communicou haver reccusado a acceitar as bases de accordo da Federação Operaria do Rio de Janeiro. Esta é já a terceira federada que assim procede…”

Em realidade, isso é proprio dos “unificadores”…

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O arrependimento era coisa de prever; tudo promethia a esmagadora derrota imposta aos disciplinistas do syndicalismo; e se nos decidimos a escrever tanto sobre coisa de tão pouca monta foi só para que não ficasse ignorado o procedimento dessa gente do “Comité da Eftêérrejóta”, que tão rara “capacidade  directiva” possue que até pretende fazer “ressucitar” um cadaver já putrefeito para o conduzir “vivinho da silva”, pelo “caminho que realmente corresponde aos fins para que foi creado…”

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Nós, os anarchistas, neste caso de organização operaria local, devemos pôr de parte os escrupulos que nos têm tolhido, até agora, maiores surtos. Temos de considerar inexistente qualquer obstaculo que se nos depare.

A Federação dos T. do Rio de Janeiro não vive: vegeta.

Das cinco associações que a compõem, nem todas estão decididas a viver continuamente divorciadas das associações que passaram a constituir a Federação Operaria do Rio de Janeiro.

Esse organismo portanto, que só vive na fantasia bolschevista do “Comité Federal”, é coisa nulla, não pode ser considerado estorvo para melhores emprehendimentos.

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Ora vejam! Que capacidade possuem os modernos “chefesitos del syndicalismo criollo”!

Quanto esplendido é o seu methodo de organização!…

E todavia “esos chefesitos”, que têm tão bom programma e que são portadores de tão honrosas credenciaes, não organizam um só syndicato; não conseguem desenvolver as suas proprias associações; não conseguem, siquer, para a “Eftêérrejóta”, a adhesão de nenhum desses innumeraveis organismos obreiros que vivem, pujantes, installados nesta maravilhosa Sebastianópolis, alheios à “maluquice e ao utopismo dos anarchistas”, muito extranhos ao “daltonismo doutrinario” dos “divisionistas”…

Porque não organizam?

Porque não têm, esses pretensos detentores dos “mais sãos principios” e dos methodos mais infalliveis”, outro apoio, além do apoio hypothetico de cinco associações?

Simplesmente por isto: porque, sobre serem méros detentores de suppostos titulos, não passam, como bem disse Costa Iscar – e como nós todos sabemos – “de indignos perros lanzados contra el ideal anarchista”.

Rio,  /7/23

 

Matéria publicada na Secção Trabalhista do jornal A Pátria (Rio de Janeiro), no dia 2 de agosto de 1923.

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