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Os beleguins do PC, não tendo argumentos, respondem aos seus adversários pela agressão física, feita, assim mesmo, de emboscada.

Por: Marques da Costa

Fonte: Núcleo de Pesquisa Marques da Costa

 

Ontem, cerca de 9 horas da noite, quando deixava a redação d’A Pátria, onde trabalho, fui estúpida e covardemente agredido por um sacripanta que acode pelo nome de Olgier Lacerda, tipo perfeito de “bam-bam-bam”, comumente encontrado pelas esquinas destas redondezas, como que a espera do momento de agir…

Por mais de uma vez o tinha visto nestas vizinhanças mas, embora sabendo-o esbirro do PC, nunca tive a idéia de que o patife aparecesse por aqui com tais intenções.

Desde que A Pátria se recusou a publicar um artigo assinado por alguém que pretende fazer-se passar pelo autor dos Mundos Fragmentários (pelo fato de ter a mesma cara…), mas que não é, por que isso se vê logo, até nos conceitos nacionalistas ali expandidos. Depois que A Pátria resolveu não publicar aquele artigo, dizia, a presença do tal sujeito tornou-se mais freqüente. Mas é caso tão trivial ver-se aqui por perto gente da espécie deste herói, que eu de nada desconfiei. Sai rápido e atravessei a Rua Chile e, ao dobrar a Avenida, sem saber como nem por quem, senti-me ferido na face esquerda, vítima de violenta pancada, talvez vibrada com a coronha de algum revólver.

Atordoado cai. Ao levantar-me, vi o patife preso por um braço, sob a pressão violenta de duas fortes mãos. Queria desprender-se, o tratante, mas não podia. Refeito, já estive para esbofeteá-lo. Não o fiz, entretanto, por que me observaram estar o tipo preso e por entender que isso me rebaixaria.

Veio a polícia. Dois guardas ouviram do cavalheiro que segurava o meu agressor:

– Este indivíduo acaba de atacar covardemente este senhor (A distinção, por certo, não foi feita de propósito, talvez só por motivos de aparências).

O guarda que chegara primeiro manteve a prisão. Eu pedi-lhe que o soltasse.

– Sendo eu quem tenho razões para se queixar, creio que sou eu o único também que poderá mandar prendê-lo. Isto é um caso que nós mesmo liquidaremos.

Como? O senhor quer tirar a desforra?

Não é nada disso! Deixe o homenzinho ir-se embora – retorqui.

E voltei-me. Estava já cercado de amigos que me convidavam a voltar a redação. Entrei, mas sai logo. Antônio Leite esperava-me no “Renovação”.

Haverá depois de tudo isso quem pense ainda me aconselhar mais tolerância para com esta corja de patifes?

Que não o faça!

Estou cheio de tanto tolerar vilões dessa marca. Insultos, calúnias, tudo tolerei.

Mas tudo tem um fim. Minha paciência esgotou-se e, se bem que não tenha ódio por essas criaturas repelentes, sinto que são trastes dignos de todo o meu desprezo e de minha mais intransigente impugnação.

De agora em diante combatê-los-ei com mais veemência até sua derrota – não admitindo, é claro, a hipótese de que antes me venham faltar recursos ou tenha de sucumbir ante alguma das muitas infames ciladas que os bolcheviques sabem preparar como mestres de profissão.

Os bolcheviques, pregando o seu “credo” aos trabalhadores, não têm coragem de dizer toda a verdade do seu “programa”. São hipócritas.

Prometem dar-lhes o céu para lhes dar o inferno.

Prometem-lhes a liberdade e dão-lhes ditadura férrea.

Porque temer desmascará-los abertamente?

Acompanhem-me os que estejam de acordo comigo. Fiquem para trás os medrosos.

Quem sabe se ainda me elevarão uma estátua, relembrando o nome do primeiro morto às mãos dos bolchevistas do Brasil?

Olha que a honra para a família não era pequena!…

Rio de Janeiro, 5 de maio de 1923.

 

Matéria publicada na Secção Trabalhista do jornal A Pátria (Rio de Janeiro), no dia  6 de maio de 1923.

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