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Fonte: Coletivo Libertário Évora

A Argentina nos finais de 2001 explodiu numa revolta que surgiu entre a manipulação política e a adesão espontânea do povo já cansado de tantos ajustes orçamentais e roubos sistemáticos e sistematizados entre o governo de turno, o FMI e os grupos económicos e mediáticos mais poderosos.
O povo à deriva encontrou naturalmente novas formas de organização social. Surgem assim as assembleias populares exigindo o famoso “Que se vayan todos”, as ocupações de fábricas por parte dos trabalhadores (FANSIPAT – Fábrica Sem Patrões) e a troca (o também famoso “el trueque”) que já vinha a funcionar desde 1995 em pequenos círculos, mas entre 2002 e 2003 tem um crescimento enorme, passando de milhares a milhões de utilizadores e deixando de estar apenas nalgumas zonas e expandindo-se pelo país. Durante o apogeu do sistema da troca aproximadamente 6 milhões de pessoas viveram e organizaram, na Argentina, o seu sistema de produção e de moeda, tudo sem a intervenção do estado ou de privados. Como é que foi possível? A utopia transformada em realidade? Talvez. O certo é que tanto os governos de turno, o FMI e os sectores privados puseram-se no terreno e atacaram ferozmente este sistema. Havia que fazer apagar da memória da população esta forma de organização subversiva porque, apesar do “trueque” ter as suas limitações, não deixava de ser um veneno letal para a economia capitalista.

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