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Postado por Notícias Anarquistas, em 17/07/2015

Matéria sobre um peso político envolvido com a questão Mapuche no Chile; ex-estudante de antropologia (que, em março passado, havia sido absolvido da acusação de incêndio criminoso e assalto à mão armada) e foi sentenciado à cinco anos e um dia de prisão devido ao porte e a posse de arma de fogo pelo Tribunal Penal Cañete.

Também, para saber um pouco mais sobre a questão mapuche, linke: http://www.latinoamericano.jor.br/mapuches.html
http://metiendoruido.com/2014/03/quien-es-el-preso-politico-emilio-berkhoff-noticia-y-comunicado/

Hoje, encho o céu inteiro de graças… para cada coração que ama a justiça e a liberdade. Encho o céu inteiro de graças para todas e todos que levam o meu filho em um lado de seu coração, não se equivocam, ele é um homem justo.

EMILIO, ACONTEÇA O QUE ACONTECER SERÁS SEMPRE LIVRE.

Mãe de Emilio Berkhoff

Ante a aberrante condenação política da qual fui objeto, quero declarar à opinião pública nacional e internacional o seguinte:

Durante aproximadamente 9 anos venho solidarizando e acompanhando as justas demandas do povo Mapuche e suas comunidades, entendendo que é o sistema capitalista o grande inimigo não só deste povo senão de toda a humanidade. Assim é como junto a minha família decidimos viver em Puerto Choke no lago Lleu-Lleu. Aqui acompanhamos o processo de recuperação territorial das comunidades contra as empresas florestais situadas no território Mapuche, estas são Mininco, Arauco e Volterra.

Como é bem sabido os donos destas empresas são as famílias Matte, Angelini e capitais transnacionais, os que por sua vez financiam transversalmente os políticos tanto da direita como da nova maioria. Não é de estranhar então o apoio irrestrito que os diferentes governos de turno brindam a estas empresas, como por exemplo, é a ampliação do decreto 701 de fomento à atividade florestal, ou a militarização das comunidades vizinhas aos monocultivos de pinho e eucalipto, com gastos desmedidos onde as polícias passam a ser os guardas privados das empresas. Assim também tem sido centenas de moradores, militantes e simpatizantes da luta Mapuche os que foram encarcerados com longas prisões preventivas e muitos condenados, com o único fim de amedrontar o movimento mapuche em geral e salvaguardar os interesses das florestais.

Durante o ano que estou livre minhas energias estão postas em minha família e continuar acompanhando os processos de recuperação territorial contra Mininco, e o projeto de libertação nacional mapuche. São estas as convicções que despertam a ira das florestais, dos tribunais e do governo, todos coligados em frear o avanço das comunidades e a simpatia que desperta no povo chileno.

Meu processo judicial sempre esteve impregnado de irregularidades e vícios, desde testemunhas protegidas até testemunhas de ouvido, o devido processo jamais existiu e menos ainda um juízo justo. Suas acusações sem nenhuma prova concreta não puderam se sustentar. A montagem desmoronava pouco a pouco; finalmente tiveram que me absolver de 8 de 10 acusações que tinham contra mim, só me condenaram por porte de arma, acusação que na maioria dos casos não implicam prisão. Não obstante o tribunal decide dar-me a maior pena para este delito, argumentando que as armas estavam destinadas a atentar contra as forças policiais. Isto é inferido dos documentos e leituras que encontraram em meu poder, quer dizer, me condenam pelas ideias que defendo. Isto é uma condenação política pressionada pelo poder das florestais, coordenada pelo ministério do interior tanto da administração de Piñera como a de Bachelet, foram ambos querelantes na causa, se dizem diferentes mas na hora de proteger o rico, são uno.

Meu consolo a tanta injustiça reside na bonita família que tenho e me acompanha nesta luta. Também me consola o ser testemunha de que os processos de recuperação territorial e reconstrução nacional são já irrefreáveis. São centenas de hectares que as comunidades hoje controlam, as florestais não poderão seguir fazendo usufruto do território Mapuche, é irremediável, têm que ir-se. Ainda que o governo se empenhe em desprestigiar o movimento Mapuche falando só de roubo de madeira e delinquência, o certo é que as comunidades cada dia controlam mais território.

Minha condenação já foi ratificada por todas as instâncias correspondentes, que se tornaram cúmplices da injustiça onde não houve nem devido processo nem juízo justo. Frente a isto é meu dever como revolucionário declarar-me em rebeldia frente à opressão dos poderosos, das transnacionais florestais e do estado servil aos interesses capitalistas.

Assim, desde onde esteja, continuarei colaborando no processo de Libertação Nacional Mapuche.

Wewuaiñ…
Emilio Berkhoff Jerez
Desde Wallmapu…
Julho, 2015
Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Madrugada fria.
A lua no fim da rua
vê nascer o dia.

Ronaldo Bomfim

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