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luta

 

Por Gilson Moura Henrique Junior

Enquanto são orquestrados os mais variados tipos de ataque aos trabalhadores, ao meio ambiente, indígenas, quilombolas, pescadores, negros, mulheres e LGBT, o mais recente sendo a famigerada Agenda Brasil, parte dos movimentos sociais e partidos seguem na síndrome de Estocolmo que permeia a esquerda partidária e movimentos ligados a ela em relação aos governos do PT.

Seja na Marcha das Margaridas, que em tese era uma marcha de luta por direitos da trabalhadora rural e virou movimento de apoio à Dilma, seja na fala de parlamentares outrora de oposição de esquerda, a síndrome de Estocolmo se manifesta como se fosse uma sanha, uma necessidade atávica de salvar o último mico leão dourado vivo da política da esquerda,e não como um tipo de ação que manifesta apenas aprisionamento à luta institucional na sua pior forma.

E tudo isso ocorre com agravamento atrás de agravamento das condições sociais, com a população puta dentro da roupa com aumento constante de custo de vida, degeneração das condições sociais, péssimos serviços públicos, perda de direitos, com indígenas e quilombolas tomando na cabeça com a omissão do governo,quando não rola apoio da FUNAI e da polícia federal à retirada de direitos destes.

Ou seja, enquanto o mundo explode a esquerda partidária e movimentos ligados a ela vendem ilusões e ligam o foda-se pro bom senso. Chamam você, eu e todos os trabalhadores e atingidos pelo governo, cuja ministra da agricultura é Katia Abreu, de completos imbecis; Esquerda e Movimentos como o MST chamam todos nós de cegos que não vêem que este governo, cujo ministro da fazenda é o Senhor Levy, é o governo “Popular” que “nos salvará da direita!”.

Deixe-me ver, então nós que não adulamos quem nos aprisiona, processa, persegue e planeja organizar legalmente a perseguição a todos os movimentos sociais por não ladearmos na defesa de nosso algoz com quem foi cooptado, aparelhado, domesticado é que somos míopes e cegos?

Será que faz sentido sem terras, pescadores, movimentos feministas apoiarem um governo que abraça flexibilização das leis ambientais, da CLT, dos marcos legais sobre direito indígena? Não, não faz, menos ainda em contraponto a um PSDB cujo programa foi posto em prática, pasmem, pelo governo Dilma.

Há diversas razões para lutarmos não a favor, mas contra o governo Dilma, pouquissima razão para defendê-lo, nenhuma na verdade, que não passe pela suspensão da descrença ou desejo feroz de ver no PT de hoje um PT morto há décadas e que antes de apodrecer abandonou bandeira a bandeira de luta cara a libertários, socialistas, anarquistas, autonomistas, lutadores enfim.

O PT de hoje é um partido da ordem, de centro-direita, seu governo é um governo da burguesia,do agronegócio, é governo de um partido cúmplice de remoções,assassinatos de indígenas,favelados, sócio do avanço do fundamentalismo evangélico alimentador de homo-lesbo-transfobia e misoginia. Defendê-lo como condição sinequanon da luta contra a direita é problema psiquiátrico ou ético grave.

Como bem escreve a Coordenação Anarquista Brasileira em seu Jornal Socialismo Libertário #30 – Julho/2015:

O governo segue a receita da austeridade. Já sofremos nos estados e municípios com as políticas de ajuste fiscal e graves cortes sociais, como na saúde e na educação. Fazendo o povo pagar uma conta cara para o lucro dos investidores internacionais. Dentro desse pacote, a ampliação das terceirizações (PL 4330) e o ataque a direitos como o seguro-desemprego e a aposentadoria (MPs 664 e 665) fazem a classe trabalhadora virar carne barata no capitalismo de mercado. O Programa de Proteção ao Emprego criado pelo governo Dilma em medida provisória é um plano de socorro aos patrões que autoriza redução salarial de até 30%. É um retrocesso brutal feito com a chancela das burocracias da CUT e da Força Sindical. O acordo coletivo específico entre empresa e trabalhador, previsto na MP, abre precedente pra flexibilização dos direitos trabalhistas. Para as mulheres a situação é ainda pior. Em nossa sociedade patriarcal e opressora a terceirização e a precarização no mundo do trabalho sempre foram uma realidade, com salários mais baixos e desigualdade de direitos em relação aos homens.”

Tem de ter algum problema ou rabo preso pra defender esse governo como se fosse defesa da democracia, porque não é, é defesa da oligarquia agro-empreiteira contra os trabalhadores.

E se o MST, ou o movimento que for, usa lutador pra defendê-lo só demonstra com malignidade a putaria que é a cooptação de movimentos por estes governos e como isso é triste, abjeto e daninho para os lutadores em si.

Ah,tem milhões que apoiam? Triste docê e dos seus que permanecem mentindo ou criando clima de terror para essas pessoas defenderem quem os sacaneia.

MST e Marcha das Magaridas apoiam uma presidenta que assentou menos sem terra que Collor, Lula e FHC, que centra mais recursos nos agronegócio do que em relação a agricultura familiar e reforma agrária, faz sentido?

Não, não faz.

Mas há quem tenha a cara de pau, o cinismo, de usar os números das marchas para apoiar este governo assassino.

E isso é abjeto.

 

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