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Fonte: FARJ – Federação Anarquista do Rio de Janeiro – Organização Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira

Toda organização, movimento social ou entidade dos trabalhadores tem sua simbologia. Um desses símbolos são as bandeiras. As bandeiras são utilizadas como forma de mobilizar, inspirar e propagandear uma determinada luta, uma determinada proposta política ou demanda social. No anarquismo não poderia ser diferente. As/os anarquistas optaram por usar diferentes simbologias para expressar sua ideologia política rebelde, as mais utilizadas no entanto, foram a bandeira negra e a bandeira vermelha e negra.

A história desses símbolos é geralmente difícil de se rastrear. Segundo Jason Wehling o primeiro caso registrado é reservado a anarquista Louise Michel, famosa participante na Comuna de Paris de 1871. De acordo com o historiador George WoodCock, Louise Michel ergueu a bandeira negra em 9 de Março de 1883, durante uma passeata de desempregados em Paris, na França. A passeata contava com 500 pessoas e Louise Michel à frente do cortejo gritando: “Pão, trabalho ou comando!”. Outro relato, reportado por Paul Avrich afirmou que em 27 de Novembro de 1884, a bandeira negra foi erguida em Chicago, durante uma passeata Anarquista. Provavelmente essa bandeira se difundiu ainda mais com a morte dos “Mártires de Chicago”, mortos pelo governo norte-americano, após uma farsa judicial. O preto era o luto, que representava a negação da nação, mas também a cor de quem não irá se render: é a expressão da determinação da luta. O negro também é a soma de todas as cores, representando a diversidade dos atores sociais mobilizados na luta anarquista que quer pôr fim ao Estado, ao capitalismo e as opressões. É a cor da luta negra, quilombola, rebelde.2uz7y14

O uso de bandeiras vermelhas fez parte de diversas mobilizações operárias. As bandeiras vermelhas nascem em Paris, em 1848. Logo depois das reivindicações das trabalhadoras e trabalhadores serem esmagadas pelo governo reacionário de Paris o uso da bandeira vermelha ficou associado a luta de trabalhadores/as no mundo todo. A união da bandeira negra utilizada no contexto dos mártires de Chicago com a bandeira vermelha, utilizada por trabalhadoras e trabalhadores de todo o mundo fez com que nascesse a bandeira vermelha e negra, que ficou famosa nas barricadas da Espanha em 1936.

Movimentos e militantes da farj com bandeiras vermelhas e negras nas lutas de junho de 2013.

Logo nossa organização optou por usar a bandeira vermelha e negra. Essa bandeira representa o negro da ideologia anarquista, da luta sem tréguas unido ao vermelho, que é a luta da classe trabalhadora e seu sangue.

Onde o Tiê-sangue entra nisso?

Para fechar a simbologia de nossa organização, colocamos em nossa bandeira o pássaro Tiê Sangue, natural da mata atlântica é encontrado na porção oriental do Brasil, da Paraíba até Rio Grande do Sul e é muito encontrado no Rio de Janeiro. Reza a lenda, que quando nossa organização foi fundada, um pássaro vermelho e negro (um tiê-sangue) foi visto voando pelos céus fluminenses. O pássaro em nossa bandeira está sobre um círculo branco. O branco representa o futuro, o foco na luta, a liberdade, o caminho das utopias. Também representa a paz entre nós (mas guerra aos senhores), mas uma paz internacional que só será conquistada no futuro, o futuro do socialismo libertário.

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O tiê-sangue vive em áreas desmatadas ou em campos, capoeiras baixas e restingas. Em torno desse pássaro há também toda uma lenda que merece ser mencionada (e que se recria), uma lenda que encontra a história de resistência dos povos indígenas e originários. Pela lenda, havia uma índia chamada tiê. Uma índia jovem, mas muito guerreira que sonhava com a liberdade de voar, tal como um pássaro. Ferida pelo inimigo, Tiê acabou falecendo, mas logo pela manhã, Tiê se transformou num belo pássaro, um pássaro sonhador e guerreiro, que voa pelos céus do nosso território de luta. Tiê representa então, lutas ancestrais dos povos originários e a realidade do nosso território de luta. Representa também a luta feminina e guerreira, luta contra as opressões. Representa o voo pela liberdade e pelo socialismo, representa o voo em busca da utopia e a revolução social.

Assim, a cor negra e vermelha e o pássaro Tiê-Sangue sobre o círculo branco se unem numa identidade comum.

Assim nasceu a bandeira da FARJ, assim nasceu nossa simbologia de luta.

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