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O movimento “As taxas devem cair” foi maior revolta estudantil desde o fim do apartheid.

A África do Sul tem aproximadamente um milhão de estudantes matriculados em instituições de ensino superior. E a maioria das universidades se mobilizaram para dizer que tipo de país almejam.

A rebelião foi altamente ideológica em suas reivindicações e democrática em sua prática. O grau de automobilização e auto-organização foi impressionante. Seu exemplo serve de inspiração para as demais lutas, pois nos mostra que a ação de massas, vindo de baixo, é o caminho para conquistar vitórias.

Os e as estudantes ocuparam edifícios da universidade, atacaram as portas do parlamento na Cidade do Cabo e conseguiram mobilizar 50.000 pessoas para protestar nos escritórios do governo em Tshwane (Pretoria).

A rebelião estudantil foi realmente um “festival dos oprimidos”. Muitas e muitos estudantes estavam participando de manifestações pela primeira vez na vida. E fizeram isso com alegria.

Foi fácil para os e as estudantes mais ativas debater sobre a crise capitalista, a austeridade, as raízes do crescente racismo e sobre o socialismo como uma alternativa.

Além da educação gratuita, os e as estudantes estão reivindicando que as universidades acabem com a prática da terceirização.

Nas palavras dos e das estudantes: “Não podemos continuar tolerando a exploração, a criminalização e o assédio praticado contra os trabalhadores terceirizados. Queremos um salário que dê para viver! As empresas têm que sair! Os trabalhadores têm que ficar!

A revolta mostra que nunca devemos ser complacentes. A luta pode estourar numa explosão de raiva e determinação em setores da vida pública que, à primeira vista, podem parecer muito passivos.

Num mundo em profunda crise, o povo está lutando contra as medidas de austeridade que tentam lhe impor. Há um ou dois anos, os estudantes não estavam mobilizados. Estavam submetidos a obrigações extenuantes e afogados pelas taxas.

Mentalidade

Como saída diante da miséria, os e as estudantes estavam imbuídos de uma mentalidade de que poderiam ascender à nova classe média negra emergente. Alguns eram caracterizados como jovens que davam mais atenção à sua aparência e a seus celulares do que aos debates acerca da construção de uma nova sociedade.

O movimento foi precedido este ano pela campanha “Rhodes deve cair”, que lutava contra a presença contínua de estátuas de figuras do apartheid, como Cecil Rhodes, nos campi universitários. Canalizava a presença do racismo e a falta de transformação no interior das universidades.

Esse movimento foi dinâmico, mas não levou a maioria dos estudantes a uma ampla rebelião. Quem conseguiu isso foi o movimento contra as taxas.

Começou à noite, quando os e as estudantes da Universidade de Wits foram bloqueá-la devido ao aumento das taxas em 10,5%. Durante uma semana, a maioria das universidades foram fechadas pelo(a)s estudantes em todo o país. Outros centros educativos começaram a se unir ao movimento até o início de novembro.

O ministro da Educação, Blade Nzimande, membro do Partido Comunista, pensou que podia conter a rebelião mantendo o aumento em 6%, como aconteceu no ano passado.

Por este motivo foi vaiado quando ia fazer um discurso fora do parlamento. Dias depois, o presidente Jacob Zuma teve que intervir, lançando a proposta de 0% de aumento para o ano de 2016.

O governo do CNA (Congresso Nacional Africano) está tentando ganhar a direção do movimento para desviá-lo. No entanto, as velhas credenciais de um governo de libertação nacional já não são muito bem vistas pelos estudantes.

Querem uma educação gratuita agora, não em um futuro distante.

Num ato para avaliar a marcha de Tshwane e a campanha “Não às taxas”, um estudante comentou: “Este ato de massas em Wits é uma das coisas mais extraordinárias que vivi em minha vida política“.

O nível do debate é extraordinário. A grande maioria está favor de rejeitar a estratégia de Zuma. Não perder força na luta por uma educação gratuita e conectar nossa luta com a da classe trabalhadora! Impressionante.”

A luta continua.

Artigo publicado originalmente no jornal Socialist Worker:https://socialistworker.co.uk/art/41574/Students+rebellion+in+South+Africa+should+inspire+us+all

Tradução: George Bezerra

Fonte: LIT-CI

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