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William_Godwin_by_Henry_William_Pickersgill

Fonte: Literatura Anarquista

Para formar uma justa estimativa dos argumentos contidos nestes volumes, o leitor talvez não possa proceder mais judiciosamente do que examinando por si mesmo a verdade destes princípios e o apoio que eles fornecem às várias inferências intercaladas nesta obra. 

I.
O verdadeiro objeto da investigação moral e política é o prazer ou felicidade.
O prazer primário, ou classe primária de prazeres humanos são os prazeres dos sentidos externos.
Em acréscimo, o homem ainda é suscetível a certos prazeres secundários, como os prazeres do sentimento intelectual, os prazeres da simpatia, e os prazeres da auto-aprovação.
Os prazeres secundários são provavelmente mais raros que os primários.
Ou, quando mais não seja,
O estado mais desejável ao homem é aquele no qual tem acesso as variadas fontes de prazer e possua uma variada e ininterrupta felicidade.
Este é o estado de alta civilização.

II.
A condição mais desejável à espécie humana é a do estado de sociedade.
A injustiça e a violência entre os homens no estado de sociedade gerou a demanda por governo.
O governo, imposto à humanidade por causa de seus vícios, não raro se torna também criatura de seu erro e ignorância.
O governo foi criado para suprimir a injustiça, mas oferece novas ocasiões e tentações para sua prática.
Concentrando a força da comunidade, oferece ocasião à projetos selvagens de calamidade, opressão, despotismo, guerra e conquista.
Perpetuando e agravando a desigualdade de propriedade, fomenta muitas paixões injuriosas, excitando os homens à prática do roubo e da fraude.
O governo foi criado para suprimir a injustiça, mas seu efeito foi o de encarná-la e perpetuá-la.

III.
O objetivo imediato do governo é a segurança.
Os meios empregados pelo governo são a restrição e a abreviação da independência individual.
Os prazeres de auto-aprovação, ao lado do bom cultivo de todos os nossos prazeres, requerem independência individual.
Sem independência os homens tampouco se tornarão sábios, úteis, ou felizes.
Consequentemente, o estado mais desejável a humanidade é aquele no qual a segurança geral é mantida com o mínimo de usurpação possível sobre a independência individual.

IV.

A verdadeira norma de conduta de um homem em relação ao outro é a justiça.
A justiça é um princípio que se propõe a produzir a maior soma de prazer ou felicidade.
A justiça requer que eu me coloque no lugar de um espectador imparcial dos interesses humanos, e me despoje das próprias predileções em retrospecto.
A justiça é uma regra da mais alta universalidade, e prescreve um modo específico de proceder em todos assuntos que possam afetar a felicidade dos seres humanos.

V.
Dever é o modo de agir que melhor define a capacidade dos indivíduos tenderem à vantagem geral.
Direito é a reivindicação que os indivíduos fazem à partilha dos benefícios que decorrem do fato de seus vizinhos estarem em dia com seus deveres.
A reivindicação do indivíduo é pelo empenho ou tolerância de seus vizinhos.
Deve-se confiar no empenho dos homens em sociedade por sua discrição; sua tolerância, em certos casos, é um ponto de necessidade mais premente, é de competência direta da superintendência política ou governo.

VI.
As ações voluntárias dos homens ocorrem sob a direção dos sentimentos.
A razão não é um principio independente e sua tendência não é excitar-nos à ação; numa visão prática, ela é uma simples comparação e balanço dos diversos sentimentos.
A razão, embora não possa excitar-nos à ação, foi planejada para regular nossa conduta de acordo com os valores comparativos que se atribui aos diferentes sentimentos.
É pelo melhoramento da razão, portanto, que buscamos o melhoramento de nossa condição social.

VII.
Para obter força e clareza, a razão depende do cultivo do conhecimento.
O progresso no cultivo do conhecimento é ilimitado:
Donde se segue,
1. Que invenções humanas e modos de existência sociais são suscetíveis ao melhoramento perpétuo.
2. Que as instituições criadas para perpetuar qualquer modo particular de pensamento ou condição de existência são perniciosas.

VIII.
Os prazeres da auto-aprovação e do sentimento intelectual, ao lado do bom cultivo de todos os nossos prazeres, estão conectados à solidez do entendimento.
A solidez do entendimento é contraditória em relação ao preconceito: consequentemente, ela deve ser fomentada entre à humanidade.com o mínimo de falsidade possível, tanto prática como especulativa.
A solidez do entendimento está conectada à liberdade de investigação, consequentemente, a opinião deve ser, quando mais não seja admissível à segurança pública, eximida de restrição.
A solidez do entendimento está conectada à simplicidade de maneiras e com o lazer necessário ao cultivo intelectual: consequentemente, a distribuição extremamente desigual da propriedade é adversa ao estado mais desejável ao homem.

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