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11-september-2001-1024-768-4224Postado em AnarcoPrimitivismo

 

Está claro que o cancro global do capital e da tecnologia devoram a cada dia mais vidas em toda esfera. Muitas espécies, culturas e ecossistemas estão sendo dissipadas em todos os níveis. O cancro da Mega-Máquina está em actividade, como um parasita hospedeiro que consome. E se alguma vez o seu movimento económico pára, os alarmes das sirenes espalham-se pelo mundo inteiro.

Esta implacável colonização/globalização teve uma ascendente resistência em toda parte. No crepúsculo dessa dolorosa luta, crise tão profunda, algumas das oposições tomaram desesperadas formas de fundamentalismo religioso. Deste desespero surgem os últimos gestos de violência suicida, desesperançosa e sobre qualquer nível indefensável. O romancista U.S. Naipal lembra-nos que “O mundo está a ficar cada vez mais fora do alcance das pessoas simples que possuem apenas religião. E quanto mais elas dependem da religião, caminho no qual não resolve nada, mais o mundo permanece distantes delas”.

Mas como o escritor Joseph Lelyveld da revista New York Times descobriu através de entrevistas com familiares e partidários, os homens-bomba são recrutados por uma promessa com estendido apelo ao desafecto entre os jovens: “Melhor uma morte significativa do que uma vida sem razão”.

Heidegger descreveu nosso período histórico como um “consumado sem sentido”. As perplexas possibilidades de realizações pessoais estão duramente confinadas no Terceiro Mundo. Na realidade, o estandarte estéreo do Primeiro Mundo está completamente devastado nos seus próprios costumes. No vazio pós-moderno que é o E.U.A. hoje, dez milhões de pessoas de todas as idades tomam medicamentos anti-depressivos e contra a ansiedade. Isto não é inimaginável diante a ânsia, e rotineiramente são prescritas drogas psicotrópicas para todos, começando na infância. E este é apenas um exemplo numa lista de famosas patologias que ultrapassam a esfera pessoal e social. Por que as pessoas estão dispostas, e até mesmo ansiosas, para aceitar como normal o estado induzido por drogas nelas mesmas e em suas crianças? Talvez por causa do medo mais generalizado ultimamente. Adorno escreveu penetravelmente à respeito da morte: “As pessoas realmente vivem pouco, ou talvez mais correctamente, quanto mais elas se tornam cientes que realmente não possuem vida, mais abrupta e assustadora a morte se torna para elas, e mais isso se parece com um terrível acidente”.

Para todos aqueles nos E.U.A. no limiar da vida adulta, suicídio é a terceira causa principal de morte. Para cada dois assassinatos há pelo menos três suicídios. Dolorosos e sem sentido.

Ignorando estas realidades omnipresentes, o American Spectator (Setembro de 2001) focou sobre os aspectos dos sequestradores suicidas do 11 de Setembro. “Luddites over Broadway” argumentou que somente a tecnologia pode nos salvar, uma vez que “a natureza é brutal, mortífera e Darwiniana”. Opondo “criatividade” à sensibilidade “Ludita” dos agressores, A.S. argumentou que a criatividade é nossa chave para o talento. Afirmando que ela só floresce sob o capitalismo. Revelando também o tipo de “criatividade” a qual eles falam – a abastecida pela razão instrumental e fundamentada na dominação.

De maneira alguma, em minha opinião, a visão anti-tecnológica, ludita e primitivista da anarquia, tem alguma semelhança com o tipo de visão teocrática e viciosa misoginia de Bin Laden. O que não quer dizer que a implacável artificialização do mundo não deva ser denunciada e invertida. O psicoterapeuta Robert Marchesani escreveu recentemente, “Quanto mais temos tecnologia, mais as pessoas parecem condenadas e desumanizadas por ela, talvez porque essas pessoas se transformam em próprios pedaços da tecnologia não podendo sentir nada mais”.

Na Turquia, segundo alguns anarquistas de lá, estão construindo uma ponte das religiões fundamentalistas para o primitivismo, pelo menos por alguns. Eles possuem um negócio depois da vida (e portanto sempre reaccionário), uma utopia escapatória que se esforça em confrontar a tecnologia e o capital aqui e agora. Um fenómeno muito esperançoso, ainda que até o momento discutido inadequadamente.

A respeito de dois anos atrás (Tikkun, Janeiro/Fevereiro de 1999), David Ehrenfeld prenunciou “O Próximo Colapso Da Era Tecnológica”. O seu sumário: “A globalização tecno-económica está a aproximar-se do seu apogeu, o sistema está se auto-destruindo. Há somente um curto mas bastante danoso período de expansão ocidental”.

Para se livrar do colapso e, além disso, evitar vítimas, nós devemos encontrar uma solução, renovação e solidariedade. É crucial que nos comprometemos energética e conscientemente à inevitável desconstrução da tecnologia. Aqueles que escolhem suportar passivamente o agravamento pessoal, social e das condições planetária, explodem tudo em volta em actos suicidas de terror ou estão fundamentalmente impotentes contra o destrutivo sistema de massas.

“Ninguém pode ter acreditado que estas torres gigantescas possam ter caído justamente deste jeito”, declarou um repórter incrédulo da CNN sobre o 11 de Setembro. Sistemas sociais foram derrubados, e até mesmo civilizações caíram, e esta ordem também deverá cair. Resistência criativa e elasticidade nunca foram tão necessárias; nunca tiveram que ser tão apostadas; nunca tiveram a perspectiva, e talvez seja cada vez mais possível, uma libertação do não-futuro e da marcha da morte desta civilização.

Por John Zerzan

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